segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A teoria do toque de celular


Mulher é um ser que, a princípio, é extremamente detalhista por natureza. Sim, porque certas coisas só elas reparam e só elas entendem. Há uma espécie de código subentendido que reina no universo feminino — algo como a linguagem dos golfinhos, bem peculiar, bem exclusiva. Ainda assim, podemos dizer que cada uma tem lá a sua dose de exclusividade. Sim, a sua própria teoria de funcionamento do universo (sic). “Ahn?”. Calma, eu explico.
Minha mãe sustenta a tese do “olhar para os sapatos”. Isso mesmo. Não importa (tanto) o que está na parte de cima — se os pezinhos estão apresentáveis, tinindo de novos, a pessoa é elegante. Há, também, a situação contrária: caso ela esteja com uma roupa impecável, passada, cheirosa, perfumada…Maaaas tenha optado por um sapato no nível “surrado”, ela escorregou na finesse.
Faz sentido.
Já eu tenho outra linha de pensamento. Mais do que um sapato, algo que realmente revela o que uma pessoa é, é justamente o seu toque de celular.
De verdade.
E eu bem sei que, a partir de agora, você prestará muito mais atenção neste até então “detalhe”, tantas vezes passado despercebido aos seus ouvidos.
Algo que, muitas vezes, pode não jogar a favor de uma pessoa, é usar MP3 como toque. Gosto musical é algo bastante pessoal e, infelizmente, pode chegar a ser bastante irritante. Pense na situação: há poucos meses atrás, no trabalho, um moço de uma empresa especializada em móveis foi ao escritório para montar uma mesa. Enquanto estava lá, todo enrolado em meio aos parafusos, com o cofrinho de fora (!), o seu celular, que estava a uma distância considerável, tocou. O que todos ouviram ecoar pelo escritório? “Ai, se eu te pego, ai, ai, se eu te pego”. Gente?
Pior, mas muito pior, foi o que ocorreu, há um tempo, em um restaurante aqui na Barra da Tijuca. Estava reunido, em uma mesa um grupo de executivos, todos extremamente bem vestidos — não via os seus pés, mas decerto que minha mãe aprovaria seus sapatos — quando, em dado momento, toca o smartphone de última geração de um deles. Eis o susto: uma voz (no mínimo) irritante começa a falar: “Atende, atende, atende, atende, atende o celular. Atende o celular. Vou te irritaaaar, vou te irritaa-ar. Eu sou irritante, atende, atendeeeeee” (se você não conhece essa pérola da telefonia móvel brasileira, clique aqui).
Sinceramente? Eu, se estivesse na mesma mesa que o tal executivo, cancelaria qualquer tipo de contrato no mesmo momento. E ainda pedia a conta pra ir embora! Onde já se viu?
Sintetizando: na minha opinião, MP3 como toque é algo perigoso. Suscita olhares — sobretudo se você está a três quilômetros do seu celular e não pode atendê-lo a tempo. O mesmo vale para toques “engraçados”. Na maioria das vezes, eles acabam sendo constrangedores — pra você. Por via das dúvidas, eu opto pelo básico: há quem ache isso falta de criatividade, mas, para mim, não há nada melhor que o velho “trim, trim”. Sem constrangimento público, sem troca de olhares. Apenas o bom e velho “trim, trim”.
Então, já sabe: vai ter sempre uma mulher por perto reparando em algo que você jamais deu tanta importância assim. Detalhes? Há quem diga. Agora, querendo ou não, duas dicas já foram dadas. A partir de hoje, sapato surrado é proibido. E usar “eu quero tchu, eu quero tchá” como toque de celular…É caso de cadeia. Ou ao menos deveria ser, convenhamos.


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