sábado, 28 de julho de 2012

Escritora de gaveta: Let it be

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Como se de repente uma onda de calmaria tivesse inundado a sala e o coração foi desacelerando. A cabeça reclinou e finalmente as pálpebras se fecharam. Veio então aquela sensação de estar caindo em meio a escuridão que a tragou e a levou até os sonhos. 
Poderia ter passeado pelo mundo, conhecido pessoas, tido amores arrebatadores e conseguido prêmios por sua filosofia de vida mas, se preferiu ou não é um mistério, acordou sentada em um campo muito florido e cheio de árvores. O dia estava lindo. Mas não saiu daquela sombra. Ao invés de correr apenas se deitou: rosto pra cima, olhos fechados, brisa leve e paz. 
Acabou sonhando dentro do próprio sonho. 
As nuvens se tornaram bailarinas e o vento sua música, os pássaros as enlaçavam e formavam uma perfeita sincronia, formavam uma melodia que a parecia levar pra longe... longe...
E de apenas espectadora daquele magnífico espetáculo se se desfez no próprio. A cada canto, cada nota, cada som e imagem tinha um pouco dela. A filosofia pode se comparar a de balões, grandes balões coloridos, que quando soltos sobem e se espalham, viajam até o sol e conferem à paisagem a maior sensação de leveza possível. Ela tomou conta do mundo, de si, da vida.
Tocou o céu, as estrelas e chegou até a lua. Lutou com São Jorge e acariciou seu dragão. Quando caiu em si percebeu que o Universo poderia ser seu. 
Abriu os olhos. Ainda não tinha parado pra observar a beleza do lugar só sabia que era ali mesmo que deveria estar, assim como a cabeça faz parte do corpo ela sabia que pertencia àquele espaço. Preguiçosa, se levantou devagarinho, com medo de modificar a cena ou o equilíbrio dela. Deu os primeiros passos lentamente e foi como se tudo ficasse ainda mais vivo. Aquilo tudo tomou conta de si e a fez correr. Era como se nada tivesse fim. Entendeu finalmente que tudo era dela, e pra ela, e que tomaria conta como se fosse sua própria vida, e era. 
Se for um sonho, brincou, quero dormir pra sempre. E dormiria. Sem dor, sem mágoa, sem angústia nenhuma. Estava em paz. Feliz. Vivendo sua eternidade. A pequena pensa que o mundo a conquistou mas na verdade foi ela quem conquistou o mundo.


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